A primeira Associação de Diabéticos do Brasil
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Memória de cálculo da ilustração acima publicada pela ACD e dimensão monetária dos custos do diabetes no Brasil e no Estado do Rio de Janeiro em 2024.


     O Atlas do Diabetes de 20241 editado pela IDF - International Diabetes Federation publicou que os gastos globais para o diabetes são de US$ 1,015 trilhão para adultos de 20–79 anos.

     Neste mesmo Atlas, consta que no Brasil, nesta mesma faixa etária, há 15,7 milhões de pessoas com diabetes e que o custo direto, incluindo o sistema público e privado, é de US$ 2.714,90 por pessoa/ano - que inclui medicamentos orais, insulina, tiras e equipamentos para medir a glicemia, consultas, exames médicos, internações e tratamento das complicações.

     Com o valor do câmbio de R$5,00 por dólar em 05/2026 encontramos que o custo médio do diabetes no Brasil é de R$13.574,50 por pessoa/ano, o que equivale a R$1.131,30 por mês.


     Neste contexto, considerando 15,7 milhões de pessoas com diabetes no Brasil, estima-se um custo anual de R$213,1 bilhões.

      Para entendimento desta dimensão monetária seria possível adquirir 106 estádio do Maracanã por ano, considerando seu valor de mercado em 2026.


     Para o Estado do Rio de Janeiro temos a estimativa de 1.394.085 pessoas com diabetes, segundo o artigo Prevalência do Diabetes no Estado do Rio de Janeiro em 2022 - estimativa a partir de dados secundários 2.
    
     Portanto, para o Estado do Rio de Janeiro, chegamos a estimava de custo de R$18,9 bilhões por ano.

      Para entendimento desta dimensão monetária seria possível adquirir 9 estádios do Maracanã por ano.


| Indicador | Valor | Fonte |
|----------|--------|--------|
| Custo anual do diabetes no Brasil | ≈ R$ 213,1 bilhões | IDF 2024 |
| Pessoas com diabetes no Brasil | 15,7 milhões | IDF 2024 |
| Custo médio por pessoa com diabetes/ano no Brasil | US$ 2.714,90 | IDF 2024 |
| Pessoas com diabetes no RJ |1.394.085 | ACD 2022 |
| Custo anual do diabetes no RJ | ≈ R$ 18,9 bilhões | ACD 2022 e IDF 2024 |



Limitações metodológicas:
    
     Este estudo baseou-se nas infomações obtidos no Atlas do Diabetes de 2024 uma vez que não há dados oficiais integrados a nível nacional.

     O financiamento do SUS é tripartite, ou seja, envolve recursos federais, estaduais e municipais, com gerências orçamentárias autônomas, o que dificulta a integração das informações financeiras em números absolutos.

     Portanto, quando se apresenta o impacto econômico de qualquer patologia a nível global é preciso considerar alguns aspectos metodológicos relevantes.

    Os cruzamentos de séries temporais distintas provenientes de fontes heterogêneas tornam um grande desafio para as estatísticas da economia em saúde devido às assimetrias das informações.

     Outro ponto que precisa ser considerado são as disparidades regionais do acesso à saúde, na medida que os dados provenientes das maiores cidades do Brasil são extrapolados para a população total.

     Também existem dicotomias difíceis de contornar entre os custos dos sistemas públicos e do sistemas privados, pois suas bases de dados partem de lógicas diferentes: a primeira é baseada em tabelas de procedimentos e a segunda é baseada em auditorias comerciais.

    Ponto frágil também encontra-se nos próprios registros dos diagnósticos que é dependente do operador, sendo que as doenças crônicas tendem a serem subestimadas diante das doenças agudas que são mais facilmente percebidas.

    Outro desafio é o da inflação setorial da saúde versus o da inflação geral dos preços, pois o primeiro costuma ser significativamente superior ao segundo e afeta os cálculos totais.

    Também é de difícil mensuração as consequências das incorporações tecnológicas - cada vez mais rápidas - pois acarretam mudanças nas linhas de cuidados terapêuticos e alteram drasticamente o perfil econômico na abordagem de uma doença.

    A técnica analítica do macrocusteio - que divide o gasto total do sistema pelo número de pacientes - é muito usado por sua facilidade, porém enviesa quando ignora as diferentes linhas de cuidados.

    Já a abordagem de microcusteio - que precifica os custos num grupo de pacientes - e depois o projeta para toda a população, torna os cálculos com validade limitada pois ignora-se os regionalismos e disparidades de acesso à saúde.

    Outros desafios são os custos indiretos, como os decorrentes do absenteísmo, presenteísmo e da previdência social.

     A economia do cuidado também tem sido ignorada - quando familiares deixam de trabalhar ou reduzem sua jornada para assistir o paciente.

     Também tem sido ignorado a mensuração monetária do sofrimento, da dor e da perda de qualidade de vida, pois são custos que afetam os orçamentos familiares impactam as economias das nações.

    Finalmente, a inexistência de uma padronização internacional dedicada aos estudos da economia em saúde fazem com que os dados atuais sejam extraídos por métodos e fontes diferentes e posteriormente ajustados para serem comparados globalmente.


     Em 2026, o MS - Ministério da Saúde anunciou orçamento de R$271,3 bilhões e a SES-RJ anunciou
R$ 13,54 bilhões. Os orçamentos municipais de saúde são de difíceis acesso ou indisponíveis e a do setor privado são inacessíveis.

     A IDF
estimou que somente para o atendimento das pessoas com diabetes o Brasil gasta R$213,1 bilhões/ano através do método do macro custeio - que divide o gasto total do sistema pelo número de pacientes.

     Portanto, o setor privado arca com grande fatia das despesas relacionadas com o diabetes - apesar de atender menor número de pessoas do que o setor público - incorpora rapidamente as evoluções tecnológicas do tratamento do diabetes e de suas complicações.

     A incorporação de tecnologias do setor privado para o diabetes encontra-se por volta de 15 anos à frente do setor público, portanto, tais custos ainda não foram absorvidos pelo setor público.

     Mesmo diante de tais limitações metodológicas, os números apresentados nesta publicação podem ser considerados confiáveis para as decisões políticas e administrativas na saúde pública - até mesmo como um prenúncio das transformações que estão rapidamente se delineando.

     "As despesas das doenças pandêmicas - como o diabetes e a obesidade podem colocar em risco a sustentabilidade econômica dos grandes sistemas públicos de saúde, como é o caso do Brasil".





Diabetes, a doença mais cara do mundo.
    
     A equipe multidisciplinar da ACD tem afirmado desde o início deste século, que o "diabetes é a doença mais cara do mundo".

    Conscientes que esta afirmação necessita de revisões institucionais, porém, ao nosso ver, está  alicerçada na visão do conjunto de dados disponíveis, locais e internacionais, e das observações de custo por doente versus incidência e prevalência versus incorporação de tecnologias versus tendências macro ambientais.

     Entendemos também que tal afirmação provoca um impacto simbólico visando promover a prevenção primária do diabetes, que possui custo financeiro muito reduzido quando comparado ao tratamento e a reabilitação


Nossa proposta para prevenção primária:    

     As informações produzidas a partir
da notificação compulsória da hemoglobina glicada  - garantida por lei no Estado do Rio de Janeiro - combinadas com as estratégias de mudanças no estilo de vida (MEV) podem evitar ou retardar o aparecimento do diabetes nas pessoas com risco elevado, entre elas - as que sofrem de excesso de peso - diabesidade - e assim reduzir significativamente os custos da saúde pública.

     A hemoglobina glicada é um exame de baixo custo, disponível em qualquer laboratório, que indica a presença do pré-diabetes, do diabetes bem controlado e do diabetes mal tratado.

     A lei obriga que os laboratórios públicos e privados do RJ comuniquem os exames alterados acompanhados do CPF para a SES-RJ, que por sua vez, além de tabular os dados, poderá incorpora-los no prontuário eletrônico e desta forma as equipes das UBS possam localizar todas as pessoa de elevado risco relacionado ao diabetes.

     Estimamos que a incidência do diabetes poderá ser reduzida em 25% a cada 5 anos. Tal informação está bem estabelecida na eficácia das mudanças do estilo de vida (MEV) quando relacionados aos os eventos cardiovasculares.




Dr. Izidoro
de Hiroki Flumignan
Vice-presidente Científico da ACD
Especialista em Medicina Preventiva
AMB - UFRJ




Fontes: 

(1) INTERNATIONAL DIABETES FEDERATION. IDF Diabetes Atlas. 11. ed. Bruxelas, Bélgica: International Diabetes Federation, 2025. Disponível em: https://diabetesatlas.org. Acesso em: 17 maio 2026.


(2) FLUMIGNAN, Izidoro de Hiroki; FLUMIGNAN, Vitória Santa Marinha. Prevalência do Diabetes Mellitus no Estado do Rio de Janeiro em 2022: estimativa a partir de dados secundários. Rio de Janeiro: Associação Carioca dos Diabéticos (ACD); Instituto Flumignano de Medicina (IFM-Rio), 2025. Disponível em: Associação Carioca dos Diabéticos. Acesso em: 17 maio 2026. (webpage)


(3) BRASIL. Congresso Nacional. Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO). Relatório Final sobre o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para o exercício de 2026. Parecer Técnico da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira (CONOF). Brasília, DF: Senado Federal/Câmara dos Deputados, [2026]. Disponível em: http://www.congressonacional.leg.br. Acesso em: 16 maio 2026.


(4) ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (ALERJ). Projeto de Lei Complementar nº 40/2025: autoriza a alienação de imóveis públicos estaduais. Rio de Janeiro: ALERJ, 2025. Discussões na Comissão de Constituição e Justiça incluíram estimativa de arrecadação de cerca de R$ 2 bilhões com eventual venda do Complexo Esportivo do Maracanã. Disponível em: https://www.alerj.rj.gov.br. Acesso em: 17 maio 2026.






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